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Liberdade de pensar, falar e agir

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QUANDO A BRINCADEIRA VIRA VIOLÊNCIA

Esses locais, as universidades, guardam uma das grandes riquezas do nosso país, que é a juventude brasileira em fase de formação humana e profissional. Mas não posso concordar e nem aceitar como natural ou cultural a prática do trote escolar violento. Já está provado que essa prática degrada a dignidade do calouro e, em casos extremos, leva à morte. Já assistimos a esse triste filme no passado e ninguém quer ver esse capítulo de selvageria se repetir.

Entendo que haja uma tradição no receber o jovem universitário. Mas essa recepção tem que vir alicerçada no princípio do respeito ao outro, da amizade e da inclusão dos calouros. São atitudes concretas que fazem frente ao vandalismo que se assiste em muitas ruas das cidades brasileiras, onde ocorre o trote com violência.

A recepção ao calouro pode e deve promover o trote solidário, que é mais inteligente e mais dignificante para a elite intelectual da juventude. Por que não reunir os calouros e pintar uma escola, uma creche, um hospital, ao invés de pintar-lhe a pele e cortar-lhe os cabelos? Por que não organizar a doação de sangue para um hospital local, ao invés de obrigar esses jovens a ingerirem bebida alcoólica? Em um país cheio de carências e aberto à solidariedade, não são poucas as alternativas para que se pratique o trote solidário. E, veja bem: desde que haja a plena concordância do calouro, respeitando sua vontade individual de se doar para um bem coletivo.

Não é de hoje que tenho pensamento formado sobre essa questão. Há dez anos, apresentei projeto de lei número 656/99, proibindo a prática do trote escolar violento. Tenho uma posição histórica de ser contrário àquilo que pode ser humilhante, constrangedor ou agressivo moral e fisicamente ao calouro. É criminoso esse tipo de atitude e devem ser punidos os veteranos que praticam o trote com violência. Vale o mesmo para as instituições de ensino que se omitem e não agem preventivamente para coibir essa crueldade.

A confraternização entre veteranos e calouros das instituições de ensino é perfeitamente aceitável e saudável. O trote violento é condenável. A questão, então, é ter limites bem definidos para que a brincadeira não se transforme em violência gratuita.

Milton Monti é deputado federal e vice-líder do Governo na Câmara


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